Para além do hobby, colecionismo desperta fascínio em todas as idades

De origem milenar, o ato de colecionar continua a atrair pessoas de todos os gostos e idades pelo mundo. A internet facilitou a disseminação e a troca de informações entre colecionadores, que se reúnem em encontros organizados regularmente e já dispõem de sites especializados, muitos, com amplo espaço de vendas.

Quem passa pelas redondezas do edifício Rádio Center, em Brasília, não imagina que nas calmas tardes de sábado uma inusitada reunião anima o primeiro andar do prédio. É o encontro da Associação Filatélica e Numismática de Brasília (AFNB), uma associação de multicolecionismo que funciona há 22 anos.

“Temos aqui colecionadores de muitos itens diferentes, de cédulas e moedas, na numismática, aos selos, na filatelia. Temos, por exemplo, uma raridade, em termos de Brasil, que é um colecionador de dedais, que tem mais de mil itens do mundo inteiro”, explica o presidente da AFNB, Eliney Faulstich.

E se engana quem pensa que os objetos se restringem a antiguidades e são colecionados exclusivamente por adultos. “Nossa associação conta com 750 associados pelo Brasil e pelo mundo, só em Brasília são cerca de 150 pessoas. As idades variam entre 8 e 80 anos”, completa Eliney, que espera que crianças e jovens resgatem o hábito de colecionar.

“Muitos ainda não tem a chance de conhecer a importância que é, por exemplo, a filatelia e a numismática para o registro da nossa história. As nossas cédulas trazem os vultos ilustres de outras épocas, mostram o que já tivemos de dinheiro”, reforça.

Além do hobby

Mais do que entreter, o colecionismo desenvolve o aprendizado, sendo uma atividade cultural por excelência. É o que afirma o presidente da Associação Brasileira de Filatelia Temática (Abrafite), Geraldo de Andrade Ribeiro. “Em diversas etapas do desenvolvimento humano, pessoas, em diferentes locais, se preocuparam em guardar e armazenar objetos, de modo a preservá-los. Se isto não tivesse ocorrido, não teríamos, hoje, o conhecimento que temos de nosso passado” ressalta.

Considerada uma ciência auxiliar da História, pelo Congresso Internacional de Filatelia de Barcelona (Espanha – 1960), a filatelia foi incluída em vários países como parte dos currículos escolares. Para Ribeiro, a atividade pode se tornar uma forte aliada ao ensino. “Ao manipular os selos, ao fixá-lo no álbum e verificá-lo no catálogo, a criança vê e revê, diversas vezes, a mesma imagem. Com isso, além da memorização da imagem, tem a atenção desperta para a importância do fato que veio a merecer a emissão de um selo e, pode fazer a sua correlação com os fatos ligados ao tema ilustrado”, destaca.

Seja para a retenção de conhecimento ou por simples higiene mental, os retornos do hábito saudável de colecionar são sempre positivos. “O fascínio da pesquisa, da descoberta, é algo inerente ao ser humano e o colecionismo é um dos campos que proporciona as melhores oportunidades neste sentido”, ressalta Ribeiro.

Sob a ótica da psicologia, as motivações que levam pessoas a colecionar objetos são as mais variadas e revelam traços de personalidade. “A pessoa não é somente o que se vê nela, mas também o que se vê nas coisas que possui.  A identidade do colecionador se estende na sua coleção e revelam projeções de busca de poder, conhecimento, lembranças da infância, prestígio e controle”, afirma a psicanalista, Fátima Tavares Tiezzi, em entrevista ao site Hardecor.

Colecionismo como vocação

Às vezes o colecionador é tão apaixonado, que só um clube filatélico não dá conta do recado. É o caso do empregado aposentado dos Correios, Paulo Agnor Fiúza. Fundador do Clube Filatélico do Piauí, a mania de colecionar, então um hobby, passou a ser ocupação em tempo integral, e o sobrado de 100 m² em que mora tornou-se ambiente de trabalho.

“A coleção de selos depende de vocação e de oportunidade. Desde a infância, gostava de colecionar qualquer coisa que aparecesse na minha frente, desde tampinhas de garrafa a cartões postais, e assim por diante. Essa era a minha vocação, digamos assim”, declara o aposentado.

Fundado em 2004, o Museu Coleções Fiúza conta com um acervo de 105 mil selos e, desde 2011, figura no Guia dos Museus Brasileiros, do Ministério da Cultura, além de estar incluído no Sistema Estadual de Museus do Piauí.

O orgulho de Fiúza, no entanto, está mesmo nos selos com maior valor afetivo: o Olho-de-Boi, com as peças de 30, 60 e 90 Réis, ao lado do primeiro selo adquirido, em setembro de 1960, e lançado em homenagem ao aniversário do presidente Juscelino Kubitschek.

Para mais informações sobre o universo da filatelia, acesse http://blog.correios.com.br/filatelia/

A grande exposição de coleções

Para a satisfação de filatelistas e colecionadores do Brasil e do mundo, Brasília recebe, entre 24 e 29 de outubro, a Colecionar 2017, exposição inédita de diversas classes de colecionismo, como selos – com mais de 2 mil painéis de 55 países – cédulas, moedas, carros antigos, orquídeas e objetos de artesanato. Totalmente gratuito, o evento também contará com ampla programação cultural, incluindo apresentações de música, dança, vídeos e oficinas.

“Além de 500 expositores internacionais, faremos uma exposição nacional, abrangendo os nossos 27 estados, com 86 expositores brasileiros. Também serão realizadas palestras técnicas para as pessoas conhecerem mais sobre o universo da filatelia”, revela o vice-presidente da FIP (Federação Internacional de Filatelia) e realizador do evento, Reinaldo Macedo.

Mundialmente reconhecida como um importante segmento cultural, a filatelia faz parte da essência postal dos Correios. Como não poderia ser diferente, os Correios terão participarão especial na Colecionar 2017. Além de ser uma das patrocinadoras do evento, a empresa trará ao público raridades filatélicas de seu acervo, além de contar com duas agências próprias instaladas no evento.

A empresa também irá expor o resultado da Postal Parade, ação cultural idealizada pela empresa que convidou artistas de Brasília para customizarem caixas de correio. A ideia do projeto é dar novo significado aos tradicionais repositórios de remessas postais e transformá-los em arte.

Confira todos os detalhes no site www.colecionar2017.com.br.

 

 


Esta entrada foi publicada em Agenda cultural e marcada com a tag , . Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Prezado leitor,

Só serão publicados comentários diretamente associados ao tema do post. Comentários com conteúdo ou termos ofensivos não serão publicados. Informações, dúvidas, sugestões ou reclamações sobre serviços devem ser encaminhadas ao Fale com os Correios

3 respostas a Para além do hobby, colecionismo desperta fascínio em todas as idades

  1. nivaldo disse:

    Eu sou cartofilista e lamento os Correios não investir mais nesse segmento. Imagino quantos eventos possíveis poderiam ser retratados em cartões postais, em um país tão diverso, rico e belo.

  2. Fátima Urzedo da Silva disse:

    Colecionar é ir para um mundo particular de emoções, fantasias e magias!

  3. Victo Crossmilk disse:

    Como colecionador eu tento adquirir itens importados, mas o correio é tão burocrático que desanima.
    Um item do Reino Unido para o Brasil demora 6 dias, já no Brasil……. ahhhh Brasil..
    De Curitiba pra São Paulo demora até 3 meses.
    Isso é desanimador!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *