Perguntas e respostas – Valor Econômico

Na quinta-feira (11), a vice-presidente de Rede e Relacionamento com os Clientes dos Correios, Glória Guimarães, concedeu entrevista ao jornal Valor Econômico sobre o andamento de instalação do novo modelo de agências franqueadas dos Correios. Confira as perguntas feitas pelo jornal e as respostas dadas pela vice-presidente:

Valor Econômico: Qual o panorama atual da implantação da rede de franquias dos Correios e como está a questão das que estão com processos judiciais?

Glória Guimarães – Temos hoje, até o momento, cerca de 548 franqueadas do antigo modelo abertas com decisão judicial. Esse valor representa 38% das unidades licitadas – você vê que não é tão grande, é sinal de que a gente já conseguiu virar e ajustar a maioria delas: estamos hoje com cerca de 550 no modelo novo. Dessas 38%, 333 assinaram contrato e 310 estão em processo de instalação. Tivemos problema com alguns fornecedores sim. O fornecedor da balança teve problema de entrega, mas nós não deixamos os franqueados na mão. Pegamos nossas balanças dos Correios, fizemos um contrato de comodato com eles e entregamos. Isso teve um delay, naturalmente, o tempo de pegar a minha máquina e colocar lá. Por exemplo, o fornecedor não entregou uma máquina daquelas de franquear. Nós pegamos uma máquina nossa e enviamos para o franqueado.

Valor Econômico: Teve que fazer um contrato de cessão daquele equipamento.

Glória Guimarães – É um comodato. São coisas que naturalmente a gente imaginava que pudessem acontecer, tanto que montamos um bunker do nosso lado, na verdade uma força-tarefa com todas as áreas, para que a gente possa disponibilizar o necessário para que eles possam fazer essa montagem. Naturalmente, houve um timing diferenciado, nós temos 28 Diretorias Regionais no Brasil e, você sabe, o Brasil não é igual em todo o lugar. Tem lugar que a gente vai levar a balança e o carro atola na estrada; tem lugar que a gente leva no avião e em duas horas está lá. O que aconteceu foram essas coisas, que foram administradas. De qualquer maneira, dessas franquias que estão abertas com decisão judicial a gente tem certeza de que 310 delas vão virar, portanto, a maioria. E as demais, aquelas que não tinham contrato licitado, seriam mais ou menos 97 licitações desertas e fracassadas. Essas são aquelas que não deu, que ninguém ofereceu proposta. Para essas, vamos colocar o nosso plano de contingência em ação, que são as nossas agências: vamos aumentar os balcões, vamos colocar atendimento alternativo e muitas vezes até dizer: “senhor cliente, a um quilômetro dali tem uma agência”, então não há necessidade de abrir alternativa, nem abrir outras coisas. A gente deu a possibilidade da AGF (franqueada no novo modelo) mais próxima abrir um posto de atendimento ali, se for de interesse dela. Ou a gente coloca o nosso plano de contingência. Está tudo devidamente atendido. O atendimento está garantido. Depois passamos os números bem direitinho para você sobre essas que estão com decisão judicial (*).

Valor Econômico: De qualquer forma, elas representam 38% das unidades licitadas. Vocês estão contando só essa última licitação ou a anterior também?

Glória Guimarães – Estou contando tudo. Do universo realmente a gente conseguiu virar uma boa parte. E a gente sabia que ia ter realmente alguns percalços ali, uns aqui, para poder virar umas outras. E para isso nós monitoramos a nossa turma, colocamos força-tarefa em todas as capitais, todo mundo está fazendo esse trabalho de ajudar a fazer essa virada. Teve lugar, por exemplo, que nós tivemos problema com a rede de telecomunicações, que não é de nossa competência: eles contratam, mas a operadora X, que foi contratada pelo franqueado, não deu conta de entregar a rede a tempo. Aí não foi um problema nosso, foi uma infraestrutura da operadora. Numa situação dessa, ele pode estar funcionando com liminar, e quando ajustar a gente acerta e ele vira para o novo modelo. De uma maneira geral, a gente considera que dado o volume da virada foi uma coisa tranquila. Você não viu ninguém reclamar de Correios em lugar nenhum. Pelo menos eu tenho acompanhado aqui o tempo inteiro, com essa preocupação toda, ligado para o Brasil inteiro, conversado com os Diretores Regionais e não estou vendo nenhum, digamos assim, tumulto. Claro, tem um probleminha aqui, um probleminha ali, tudo administrado, inclusive pelas Diretorias Regionais.

Valor Econômico: A senhora comentou muito a solução que foi dada no que se refere a equipamentos e fornecedores que não conseguiram dar conta da demanda. Os franqueados notaram também alguns problemas pontuais em treinamento de mão-de-obra na instalação do sistema dos Correios. Isso foi identificado pelos Correios também?

Glória Guimarães – Isso para a gente é uma informação que não tem procedência. Como eu disse, em que pese alguns casos pontuais, mas só ali, uma exceção, nós não tivemos dificuldade com relação a essa questão. Quando o franqueado demonstrava alguma dificuldade a gente ia lá com equipe, ligava aqui para a nossa central e imediatamente acionava a equipe da Diretoria Regional. Para você ter uma ideia, a gente já capacitou 97% das posições de trabalho demandadas pelas franquias do novo modelo, então não tem problema. 97% é um número altíssimo. Todas as Diretorias Regionais alcançaram próximo de 100%. Quando alguém faz uma observação dessa natureza, precisa ter números: de tanto, não capacitou tanto. Aí vou verificar o que ocorreu. Porque os números que tenho aqui mostram que o que foi pedido, foi capacitado.

Valor Econômico: Agora, se existe essa situação nos Correios, são bastante compreensivos, estão atuando numa certa parceria para tentar solucionar tudo isso… eles estão dizendo que os Correios estão tentando cassar essas liminares, para fechar as agências.

Glória Guimarães – A gente está fazendo aquilo que é correto. Se alguém entra com uma liminar, é obrigação do meu jurídico entrar com uma outra liminar para cassar. Nós queremos que aquele modelo vá funcionar, então não vou ficar esperando ele entrar com liminar e ficar parada. A gente faz aquilo que é institucional e é adequado, que a gente entende que é correto, dentro da legislação e dentro de tudo que foi ajustado para fazer, com prazo, com data. Tudo isso a gente avisou com a antecedência necessária, trabalhamos com as associações, com a Abrapost, com a Apost, fizemos força-tarefa em seis Estados do Brasil trazendo todas as questões de problemas que tinham, para a gente minimizar o risco. Tem problema? Claro, sempre vai ter. Mas todos os riscos foram minimizados, todas as questões a gente correu para poder dar solução. Que foi dada solução, foi.

Valor Econômico: Então pode-se entender que se houver cassação de alguma liminar, se houver fechamento de alguma agência, é porque realmente ela não se adequou ao que foi exigido pelos Correios.

Glória Guimarães – Com toda certeza é porque não atendeu ao que foi solicitado e com o prazo que foi dado.

Valor Econômico: Eles comentam muito aquela questão, eles pedem 12 meses, entendem que isso está previsto na lei, no decreto, que eles teriam 12 meses para fazer a adequação, não no dia 30 de setembro. Como a senhora vê essa questão? Porque foi dado um plano de transição, não é?

Glória Guimarães – Nós não estamos dizendo que eles não têm os 12 meses para se adequar 100%. Nós fizemos um plano de transição. Em junho deste ano nós dissemos: para a transição você vai funcionar com o kit ABC, apesar de eu saber que você tem que ter de A a Z. O ABC é o mínimo. Ao longo desses 12 meses, se você assinou o contrato em junho, você tem até junho do ano que vem para poder entregar o D, o E, o F, o G, o H, até o Z. Foi isso que foi feito e entendo que está adequado ao que nós nos propusemos a fazer. Não tem nenhuma irregularidade nisso, não tem “os Correios são malvados porque não me deram 12 meses”. Não. Isso foi um trabalho, porque nós fizemos uma transição acordada, onde eu disse que o kit mínimo para funcionar era ABC. Mas você sabe que tem que fazer até o Z. Então você tem que fazer do D até o Z em 12 meses a partir da assinatura do seu contrato. Está todo mundo avisado, todo mundo sabendo, as associações. Nós trabalhamos com informação o tempo inteiro: força-tarefa, fomos nas associações, trabalhamos com o nosso site na internet que eles acessam. Então dizer que não sabia… eu não gosto de fazer juízo de valor e nem vou fazer, acho que não cabe essa observação.

Valor Econômico: Então posso entender com toda certeza que se alguma agência for fechada é porque ela não atendeu.

Glória Guimarães – A gente tem um edital. Eu coloco regra, digo para você que é proibido passar de 60 km/hora na via do Eixo Monumental. Se eu passar de 60 o que acontece comigo? O pardal me pega, me dá uma multa e manda eu pagar, não é verdade?

Valor Econômico: Eu entendi o seguinte, até para usar um exemplo que a senhora deu: o edital e o contrato prevêem uma série de requisitos, do A ao Z, que os Correios dão 12 meses para serem cumpridos. No plano de transição, que ele precisava ter até 30 de setembro, isso sim, era de A até C.

Glória Guimarães – Exatamente, que foi o plano de transição.

Valor Econômico: Agora, se ele não tem nem o ABC, aí fecha. Aí os Correios não querem tolerar.

Glória Guimarães – Nós não podemos tolerar porque estou indo contra a lei. É a exigência mínima para ele funcionar como AGF (novo modelo). Conecte-se ao sistema dos Correios, mude isso aqui, mude aquilo ali e faça o treinamento. Pronto, digamos que foi isso aí, o ABC.

Valor Econômico: Posso garantir isso e enfatizar que não há nenhum problema operacional para o usuário? Ninguém está sendo afetado? E se os Correios tiverem que fechar agências por motivos alheios à vontade da ECT, o serviço também está garantido?

Glória Guimarães – Está garantido porque as nossas regionais vão providenciar o plano de contingência: a abertura de lugares extras, pontos de atendimento, ou a ampliação da agência para poder atender e não deixar a população sem atendimento.

(*) A ECT realizou duas licitações, sendo uma em 2009 e outra em 2011. No que se refere apenas ao segundo processo, foram licitadas 818 agências. Dessas, 445 estão abertas por força de medida liminar, sendo que 264 com contratos assinados com a ECT. Outras 103 já funcionam no novo modelo e as demais estão em fase de análise de proposta para assinatura de contrato, abertas mesmo sem liminar ou a licitação foi deserta ou fracassada. Destacamos que esses números são alterados diariamente, conforme a inauguração das agências.


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2 respostas a Perguntas e respostas – Valor Econômico

  1. Carlos Reike disse:

    Comentar a entrevista da vice-presidente de Rede e Relacionamento, Glória Guimarães, dado ao Jornal Valor Econômico, gerou grande exigência da minha parca inteligência.

    Inicialmente, foi necessário traduzir o: “Pá de lá, pá daqui”, “ABC”, “A-D”, “A-Z”, entre outros, bem como entender os dados estatísticos confusos inseridos nas respostas.

    Por sorte, embora minha capacidade seja limitada, possuo formação por curso de correspondência e estou apto a decifrar hieróglifos e escrita cuneiforme.

    Para auxiliar os “sábios em vão, tentaram decifrar, o eco de antigas palavras, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, vestígios de estranha civilização” (versos de Chico Buarque), tendo esclarecer algumas das referências:

    ABC – Não se refere a curva abc. A terminologia usada significa requisitos básicos para o funcionamento das Agências de Correios da Rede Franqueada no novo modelo.

    A-D – Significa requisitos básicos acrescidos de outros previstos no contrato de franquia, a serem implantados dentro do prazo fixado, conforme exigências legais do referido e legislação própria.

    A-E, A-F, A-G – Significa o mesmo que A-D com inclusão dos demais requisitos previstos no contrato de franquia.

    A-Z – Não significa Correios A-Z, incauto leitor. Portanto não é necessário ir ao sitio dos Correios A-Z. A terminologia usada significa o conjunto completo dos requisitos previstos no contrato de franquia postal.

    Bunker – É casamata. No contexto da resposta podemos utilizar o termo sala de controle ou sala de monitoramento. Considerando a terminologia militar empregada, seria melhor então utilizar a expressão QG – Quartel General, ou seja, instalação vocacionada ao controle geral de uma determinada operação, apta a responder imediatamente às demandas apresentadas.

    Timing – É timing, ou seja, no seu próprio tempo, podendo ainda ser utilizado a expressão: tempo de resposta.

    Pardal – Não esta se referindo ao pássaro. O Pardal aqui faz referência ao fiscal de trânsito. O mesmo que Marronzinho. No contexto da pergunta significa a fiscalização exercida pelos órgãos de controle e a aplicação de penalidades aos administrados públicos no caso de descumprimento da legislação vigente.

    Utilidade Pública: Prezado leitor, caso for a Brasília e alugar um carro, lembre-se que no Eixo Monumental a velocidade máxima permitida e 60 km. Ah mais, uma coisa, o Eixo Monumental, ou Eixão como os locais o chamam, esta localizado em Brasília/DF. Não confundir com o Eixinho.

    Atolamento de carro – Significa que há estradas no Brasil onde os carros atolam e podem comprometer a entrega de determinado equipamento associado aos requisitos básicos. Melhor usar veículos com tração nas quatro-rodas e ter um co-piloto com planilha e bússola. Benchmarking com pilotos de Rali também podem ajudar a evitar atolamentos e a escolha da melhor rota. Porem um bom planejamento é suficiente para evitar surpresas estratégicas. Cronograma também é bem-vindo.

    Fechar ACF – Significa encerramento das atividades das agências de correios do antigo modelo ACF, conforme determinação legal no dia 30/09/2012.

    Funcionamento das ACF com Liminar – Agências do antigo modelo ACF mantidas em funcionamento após o dia 30/09/2012 amparadas por decisão liminar da justiça.

    Cassação de Liminar – Obrigatoriedade jurídica dos entes públicos em contrapor embargo de liminar ou sua cassação, ou seja, entes públicos são obrigados por lei a ir até a última instância de modo a buscar decisão final na causa onde figurem como réus ou autores.

    Pá daqui e o Pá de Lá – Dificuldade na associação de idéias e conceitos.

    Análise dos dados estatísticos: Vou ficar devendo. Envei para o pessoal do ITA e ainda não recebi resposta conclusiva.

  2. Marcio disse:

    A senhora Glória Guimarães dou meus parabéns, o Brasil necessita mais mulheres como ela, o que é certo é certo e ponto.