Dia Mundial dos Animais: carteiros dão exemplo de amor pelos bichinhos

Nesta quinta-feira, 4 de outubro, é comemorado o Dia Mundial dos Animais e o dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos bichinhos. Seguindo o exemplo do santo protetor, carteiros mostram como mantêm uma bonita amizade com os animais.

Além do clichê

Há cinco anos trabalhando nos Correios, Angelo Cristiano da Silva, de 32 anos, ficou famoso recentemente por tirar selfies com cachorros e cultivar uma relação que em nada lembra o clichê de inimizade entre carteiros e cães.  “Eu amo esse bichinhos de quatro patas! As fotos que publico com eles mostram esse amor e ajudam a quebrar o paradigma de que cachorro não se dá bem com carteiro”, disse ele. Sua história já foi retratada em entrevista à BBC News e em vários veículos de comunicação.

Para Angelo, do CDD Guaratinguetá, em São Paulo, o carinho pelos animais é um estímulo para o trabalho. “É uma alegria no dia a dia. Quando vou a uma residência para fazer a entrega, já chego brincando com o cachorro, chamo de amigão, trato com carinho. Tem um que já fica no portão me esperando”, disse.

O amor de Angelo pelos bichos vem de infância. “Meus pais tinham cachorros em casa e eu sempre gostei muito”, relata. Hoje, em sua casa, ele cuida de dois cães e três gatos, todos recolhidos nas ruas. Ele ajuda no resgate de alguns animais abandonados, que são acolhidos temporariamente pelas protetoras da região. “Meu objetivo é mostrar a importância de tratar bem e diminuir o abandono dos bichinhos. É preciso amar todos eles.”

Um caso de amor inusitado

“Parece até coisa de namorado”, brinca o comerciante Manoel Francisco Pinto sobre a curiosa relação do carteiro Nelson e a calopsita Sofia. A história começou quando o carteiro do CDD Aclimação, zona sul de São Paulo, entrou numa galeria de lojas para entregar correspondências. A calopsita, que pertencia à dona de uma das lojas na galeria, voou em direção ao carteiro assim que o viu.

“Ela ficou no meu ombro e não saiu mais. A partir desse dia, toda vez que eu chegava na galeria tinha que passar primeiro na loja, colocar a Sofia no ombro para fazer a entrega da correspondência”, conta o carteiro.

Na hora de ir embora, a calopsita queria ir com o carteiro. E ai dele se, quando chegar na loja, não for até ela. “Ela fica desesperada, sai voando atrás dele. E fica muito nervosa e agressiva comigo”, conta a dona da calopsita, a comerciante Bethe de Jesus. “Uma vez, ela viu um outro carteiro passando na rua, achou que era o Nelson e saiu voando atrás”, completa Bethe.

E foi para ir atrás do carteiro que Sofia acabou fugindo três vezes e ficou desaparecida por dias. “Ela me via passar na rua e saia voando atrás de mim”, explica o carteiro. Depois de tantas provas de amor da calopsita pelo carteiro, a dona da ave tomou uma decisão. “Eu senti que ela é muito apaixonada pelo Nelson, então eu dei ela de presente para o carteiro”, conclui Bethe.

E para explicar tanto amor, o carteiro tem uma explicação. “Acho que é por causa da roupa amarela, ela deve me ver como um grande pássaro”, brinca Nelson.

Fim do abandono 

Quem passa todos os dias pelos mesmo lugares, como o carteiro Fernando Ferreira Leite, de Cangaíba, zona leste de São Paulo, não demora para conhecer cada centímetro das ruas por onde passa. Foi nessas andanças que uma cena triste chamou a atenção do carteiro: a quantidade considerável de animais abandonados.

Para ajudar cães e gatos que vivem na rua, há 10 anos o carteiro adquiriu o hábito de levar uma sacola com ração para alimentá-los. “Você saber que um bichinho está passando fome, frio, sede, por causa de alguém que o abandonou, dá uma pena na gente”, lamenta Fernando.

A atitude do carteiro desperta a admiração de vários moradores. O dono de um pet shop, onde Fernando costuma comprar a ração, é um deles e também gosta de contribuir, doando alguns produtos da loja. “Não é todo mundo que está disposto a ajudar esses animais abandonados. Realmente é uma atitude muito louvável a do carteiro”, elogia o comerciante Leandro Luz.

Muitos dos bichinhos que encontra, pelas mais de 25 ruas por onde passa por dia, estão muito doentes. Por isso não é raro o carteiro, depois que termina o serviço, levar o bichinho ao veterinário. “Uma poodle que levei para o veterinário acabou sendo adotado por uma cliente”, se orgulha Fernando.

São várias as histórias de cachorros e gatos que acabaram sendo adotados por moradores, incentivados pela atitude do carteiro.  Foi assim que o cachorro Felipão ganhou um lar. O carteiro conta que encontrou o cachorro desmaiado na rua, doente e com fome. “Nós vimos o carteiro dando ração para ele e fomos lá ver. O Felipão estava caído no chão e doentinho e agora ele está bem cuidado por nós”, conta Antonio Pereira de Melo.


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