O negócio é pequeno, mas o sonho é grande e a logística também.

Por Fernando Rodrigues Cardoso, administrador, especialista em logística e graduando em Direito.

Foto: Helton Lúcio

Com o avanço das tecnologias e a criação de multi canais de venda, as Micro e Pequenas Empresas – MPEs, necessitam cada vez mais de ferramentas facilitadoras para ampliar seus mercados e se fortalecerem para garantir sua sobrevivência. De acordo com o Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa[1], estudo realizado em 2013, por meio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), as micro e pequenas empresas correspondem a 99% dos negócios formais estabelecidos no Brasil. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC, no Brasil já são mais de 18 milhões de MPEs ativa, onde 27,6% se concentra no estado de São Paulo, 10,5% em MG, e 9,2%  no RJ.

Ainda neste contexto, chama atenção os dados estatísticos de mortalidade das empresas brasileiras. Infelizmente, conforme informado pela CNC, em 2016, mais de 270 mil MPEs não conseguiram se garantir no mercado e tiveram que fechar suas portas. Em 2017, já são mais de 7.800 empresários donos de pequenos negócios que também não conseguiram vencer a crise.

Ocorre, que dentre os vários motivos que corroboram para este fim trágico, afinal estamos falando muitas vezes de sonhos transformados em realidade por meio dos empreendedores, destacamos a magnitude gerencial, administrativa e operacional do empreendimento, pois, observa-se no dia a dia de uma empresa a enorme energia dispendida nas atividades meio da corporação, por exemplo a operação logística.

A complexidade que uma operação logística exige especial atenção por parte dos gestores, empreendedores e qualquer pessoa à frente de uma organização, pois as atividades e recursos necessários e intrínsecos à operação (inbound e outbound), que permeiam receber mercadorias, aferir acuracidade, armazená-las, realizar inventários, embalar e separar pedidos (Packing e Picking), roteirizar e transportar até o cliente quando solicitado, exige expertise (Know How), em virtude dos custos envolvidos, que são substancias para maioria das organizações, podendo consumir mais de 11%  da receita da empresa, conforme estudo realizado pela Fundação Dom Cabral[2]. Outrossim, podemos somar ainda o custo intangível relacionado a marca da empresa, com a insatisfação do cliente.

Este esforço pode prejudicar a real finalidade da empresa e desviar a energia do empresário que deveria ter maior parcela na consecução de sua atividade fim.

Diante do exposto, com intuito de reduzir custos, aumentar eficiência e manter a empresa focada nos seus objetivos principais (core business), é cada vez mais comum utilizar-se de ferramentas e serviços de terceiros, uma parceria nestes tempos difíceis. Uma opção para mitigar os custos operacionais logísticos, expostos neste artigo, podemos citar o serviço de fulfillment, já realizado por algumas empresas no Brasil e recentemente também lançado pelos Correios, para apoiar o micro e pequeno negócio.

O serviço é destinado às empresas de e-commerce, cujo objetivo é propor aos seus clientes soluções em logística integrada por meio da prestação de serviços de armazenagem, separação, embalagem de pedidos, integração com a solução de transporte de distribuição e oferta de serviços de pós venda, executados por meio de uma central de relacionamento.

Observa-se que a solução proposta pelos Correios, pode ir além da prestação do serviço e permitir que as empresas aloquem sinergia no core business, tornando-as competitivas e fortes, pois por meio do deste tipo de serviço, a micro e pequena empresa mitiga a utilização de recursos, financeiros, humanos e tecnológicos em atividades meio do empreendimento, maximizando a potencialidade gerencial e administrativa, permitindo à empresa torna-se mais eficiente, eficaz e sustentável. Parece que o sonho do empresário, dono de um pequeno negócio, em transformar custos fixos logísticos em custos variáveis pode se tornar realidade.

Outra questão que vale a pena destacar, está na redução de custo do frete proposta pelos Correios neste novo produto, também chamado de inclusão logística para pequenos negócios. O serviço oferece preços extremamente reduzidos para SEDEX e PAC. Em algumas simulações é até mais barata que os valores ofertados pelo serviço de e-SEDEX ofertada pela estatal. Algo muito importante para o micro e pequeno negócio em tempos de crise econômica.

Estar atendo a novidades do mercado, desapegar de conceitos culturais, acompanhar tendências, e usufruir de toda solução que possa garantir a sustentabilidade do negócio, são fatores que podem tirar muitas empresas do vermelho no fim do mês e possibilitar também o fortalecimento do sonho conquistado.

[1] Fonte: https://www.sebrae.com.br.

[2] Fonte: http://www.cnt.org.br/Imprensa/noticia/cresce-custo-logistico-no-brasil-cnt.

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