Relações diplomáticas entre Brasil e Suíça é tema de selo

Em comemoração aos 200 anos da presença oficial suíça no Brasil, os Correios lançam hoje (25) uma emissão postal especial da Série Relações Diplomáticas.

A imagem do selo foi eleita pelos seguidores das redes sociais da Embaixada da Suíça no Brasil. A ideia foi unir, em uma única imagem, dois símbolos importantes das culturas suíça e brasileira, sendo que o Matterhorn e o Pão de Açúcar foram as imagens mais votadas.

O imponente monte suíço, o morro brasileiro na baia da Guanabara e o céu foram pintados separadamente, utilizando-se a técnica de aquarela. A montagem foi feita digitalmente, mesclando as paisagens e suas vegetações tão distintas. O lago suíço se dissolve nas águas da baia e dois veleiros deslizam, portando cada um a bandeira do respectivo país.

A emissão, com tiragem de 240 mil exemplares, é composta por um único selo, com valor facial de R$ 2,15. A peça está disponível nas principais agências de todo o país e também na loja virtual dos Correios.

Presença suíça no Brasil: 200 anos de história

Foi em 1817 que se iniciaram as negociações entre o Cantão de Friburgo e a Coroa portuguesa para uma possível instalação de uma colônia Suíça em território brasileiro. A proposta foi apresentada por Sebastien Nicolau Gachet, em viagem ao Rio de Janeiro. A empreitada de Gachet foi apoiada pela Coroa portuguesa, e Tomás Antônio Vilanova Portugal, Ministro e Secretário dos Negócios do Reino, foi nomeado por João VI para organizar a nova colônia. Os primeiros suíços chegaram ao Rio de Janeiro somente em 1819.

O projeto emigratório do Cantão de Friburgo foi estimulado devido ao contexto de crise econômica após o fim das Guerras Napoleônicas em 1815. O objetivo de Gachet era incentivar os colonos ao trabalho com manufatura, sobretudo têxtil, uma indústria que ainda era pouco explorada no Brasil, e também estimular a ocupação de terras para a agricultura. Por outro lado, a própria Coroa Portuguesa, instalada no Rio de Janeiro desde 1808, vinha aos poucos implementando uma política de desenvolvimento do território. Nesse caso, considerava-se essencial a abertura de estradas que facilitassem a comunicação da Corte com o extenso território da América portuguesa e, também, o incentivo à ocupação de regiões pouco povoadas. A experiência com os imigrantes suíços foi pioneira neste sentido, embora não tenha sido a única. Na mesma época, foram fundadas as colônias de Viana, no Espírito Santo e de Leopoldina, na Bahia.

Com os pormenores acertados, foram selecionadas famílias da Suíça para que começassem a jornada de instalação no Brasil. Com a intenção de ocupar e desenvolver economicamente territórios próximos à nova sede da Corte, escolheram como destino a Fazenda do Morro Queimado, no Rio de Janeiro. A viagem dos primeiros imigrantes suíços foi feita entre setembro e outubro de 1819, em oito navios. Estima-se que por volta de 2 mil pessoas realizaram a travessia. A viagem foi difícil e com um número considerável de mortes. O deslocamento da Baía de Guanabara para Morro Queimado também foi dificultoso, devido aos árduos caminhos de terra.

Desde o início, a Corte brasileira teve o interesse em integrar esta nova colônia em seu vasto território.  Diversas foram as legislações que versaram sobre a instalação dos colonos, indicando a doação de subsídios, terras para plantio e animais. A ideia era que o local se desenvolvesse economicamente, principalmente na produção de gêneros alimentícios para consumo interno. Como parte desse objetivo, D. João achou essencial manter as comunicações entre o Morro Queimado e o Rio de Janeiro. Para isso, por meio de decisão de 24 de janeiro de 1820, foi inaugurada uma Administração de correio no local, que seria responsável por levar e receber as cartas da capital. Com o tempo, sobretudo porque buscavam trabalho em terras mais férteis, muitos destes primeiros colonos deixaram Nova Friburgo e ocuparam regiões vizinhas, como Macaé e Cantagalo.

Nesse contexto de incentivo à colonização, os primeiros representantes oficiais da Suíça iniciaram seu trabalho no Rio de Janeiro em meados de 1820. Essa foi a primeira presença oficial do país no continente latino americano. Muitos anos mais tarde, em 1958, a representação ganhou status de embaixada e posteriormente, em 1972, foi transferida do Rio de Janeiro para a nova capital do Brasil, Brasília.

Esta emissão filatélica tem o intuito de comemorar os 200 anos da primeira imigração Suíça para o Brasil. Este momento foi marcado por um contexto histórico específico, que, nos dias atuais, é reconstruído e rememorado para sublinhar os laços diplomáticos entre os dois países. No selo, é possível ver, de forma contínua, dois símbolos de beleza natural, o Pão de Açúcar e o monte Matterhorn. A imagem simboliza artisticamente a união, desde 1819, entre a então Corte do Rio de Janeiro e o Cantão de Friburgo e é um belo exemplo de como momentos históricos são reinterpretados no presente por meio de suportes de comunicação como o selo postal.

Publicado em Programação Filatélica 2019 | Deixar um comentário

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