DIA DAS MÃES |
Um telegrama em voz alta

A filha mora no Rio. A mãe, no interior do Acre. Quando o telefone deixou de bastar, sobraram o papel e a voz


Há meses, Vânia Ribeiro de Lima Libardi tentava conversar com a mãe pelo telefone. Dona Ozeneyde, 86 anos, já não escutava direito. Do outro lado da linha, em Sena Madureira, no interior do Acre, repetia que não estava entendendo. As ligações foram rareando.

No Dia das Mães, Vânia escreveu a mensagem num papel. Pediu que uma colega digitasse, e enviou um telegrama. Como dona Ozeneyde não é alfabetizada, pediu também que o carteiro lesse a carta em voz alta.

O recado saiu do CTCE Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Percorreu cerca de quatro mil quilômetros até a agência de Sena Madureira, a 150 quilômetros de Rio Branco. A coincidência fez o resto: a gerente da agência, Natércia Maia de Lima Barbosa, havia sido colega de Vânia na infância. Os carteiros Augusto Cezar Lima de Mendonça e Pedro Henrique Santana Flores de Araújo do Nascimento foram fazer a entrega juntos. Pedro Henrique leu.

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MÊS DAS MÃES|
Cuidando de quem cuidou: quando o amor volta para o ponto de partida

Romivalda (esq) e Dona Raimunda: ajuda mútua entre mãe e filha. Foto: Arquivo pessoal.

Por Juliana Miranda

Na hora que as coisas ficam difíceis de verdade, a primeira necessidade que vem ao coração é, geralmente, a do colo de mãe (seja ela a biológica, a escolhida, a tia, a avó, a madrinha… ou quem quer que desempenhe esse papel na vida de quem está passando pelo aperto). As mães são um porto seguro e, ao lado delas, nada pode dar errado: é como se não precisássemos nos preocupar e pudéssemos ali, simplesmente, existir.

Mas o que acontece quando as circunstâncias (ou simplesmente o passar do tempo) inverte a situação, até que, um dia, são as mães que precisam de cuidados? Para as mulheres com quem conversamos, a resposta é simples – o amor volta para o ponto de partida, com paciência, carinho e muita vontade de acertar.

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MÊS DAS MÃES|
Quando o relógio marca o tempo da delicadeza

A jornada invisível das mães de crianças neurodivergentes


A assistente comercial Milene Rocha Elias é mãe de Yuri, que está no espectro autista. Foto: Arquivo pessoal.

Por Marta Ribeiro

“Mãe sente”. É assim, com a sensação de ter um coração batendo fora do próprio peito, que a assistente comercial Milene Rocha Elias Brasil, lotada em Mossoró (RN), fala sobre as muitas emoções que vivenciou após a chegada do filho Yuri, hoje com 28 anos. Ela conta que, desde os primeiros meses de vida, o menino apresentava características marcantes do autismo, mas em 1997 o mundo ainda não estava pronto para compreender o que hoje conhecemos como neurodivergência (diferenças neurológicas, comportamentais e de aprendizagem fora do padrão).

Naquela época, ela escutava que Yuri era como qualquer outra criança. “Acreditei, porque confiamos naqueles que deveriam nos orientar. Por isso, meu filho não teve acesso a terapias ou acompanhamentos que poderiam ter feito toda a diferença desde cedo”, lamenta.

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DIA DAS MÃES|
Maternidade real: como estamos nos tornando uma empresa mais acolhedora para as mães

A volta ao trabalho presencial depois que o bebê nasce é um momento angustiante para a maioria das mulheres. Uma conta que não fecha, onde o mercado exige produtividade e o filho, presença. Enquanto a indicação é iniciar a introdução alimentar apenas após o sexto mês do bebê, muitas mães precisam retornar ao trabalho quando seus filhos ainda estão em amamentação exclusiva. Até um ano de vida, o leite materno é a principal fonte de nutrição do bebê.

Para que as mulheres que são mães não precisem escolher entre profissão e maternidade, nos Correios, além da concessão de licença-maternidade estendida, ampliamos uma série de iniciativas para promover acolhimento e incentivar as mulheres em sua jornada de retorno ao trabalho. Amamentar, por exemplo, é um direito que precisa ser encorajado, respeitado e cumprido.

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