Correios aproxima Brasil e Europa em debate sobre inovação no setor postal

Reguladores europeus conhecem a operação brasileira e iniciativas dos Correios e trocam experiências sobre universalização, transformação digital e oportunidades de negócio

A visita de representantes do Grupo Europeu de Reguladores de Serviços Postais (ERGP) começou em Brasília, com encontro na sede dos Correios. Foto: Correios/Divulgação.

A transformação dos serviços postais está aproximando experiências de Brasil e Europa. Representantes do Grupo Europeu de Reguladores de Serviços Postais (ERGP estiveram no país para conhecer a operação dos Correios e trocar experiências sobre os caminhos de um setor que combina universalização, inovação e busca por sustentabilidade econômica.

A visita começou em Brasília, em 6/10, com encontro na sede dos Correios. Recebida pela Presidência e pela Diretoria Executiva, a delegação conheceu a estrutura da empresa, dados sobre o fluxo postal brasileiro e aspectos da regulação do setor. Na sexta-feira (9), o grupo segue para o Rio de Janeiro, onde visitará unidades operacionais e participará de uma conversa sobre regulação postal com professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A comparação entre os dois mercados mostrou que a transformação digital avança em velocidades diferentes. Presidente do ERGP e da Autoridade Nacional de Comunicações de Portugal (Anacom), Sandra Maximiano observou que a digitalização mais rápida no Brasil ajuda a explicar a redução mais acentuada das correspondências no país.

Ela citou como exemplo os serviços públicos. No Brasil, segundo Sandra, documentos são recebidos, por padrão, em meio digital, enquanto em Portugal a lógica ainda é inversa: a carta permanece como padrão e o cidadão precisa optar pela comunicação digital.

Para o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, as mudanças do setor também abrem espaço para aproveitar capacidades construídas pela empresa em escala nacional. “Os Correios têm ativos importantes para essa nova realidade do setor: presença nacional, capilaridade e capacidade logística. Nosso movimento é transformar essas fortalezas em novas oportunidades, com inovação, eficiência e sustentabilidade econômica”, afirmou.

Da capilaridade a novas oportunidades

Na Universidade Corporativa dos Correios (UniCorreios), os representantes europeus conheceram iniciativas da empresa em sustentabilidade, inovação e educação corporativa. Entre elas, a Política de Sustentabilidade Empresarial, a Agenda Corporativa de Inovação e o Projeto Travessia.

Grupo também conheceu a Universidade Corporativa dos Correios (UNICO), em Brasília. Foto: Correios/Divulgação.

O projeto Travessia busca conectar pequenos produtores brasileiros ao mercado internacional. Em sua primeira missão, empregados dos Correios participaram de uma ação na Aldeia Vanuíre, em São Paulo, com capacitação de artesãos indígenas para o comércio eletrônico e a realização de uma exportação-piloto.

A iniciativa chamou a atenção de Sandra Maximiano justamente pela possibilidade de combinar o alcance dos Correios com a abertura de mercados para pequenos produtores brasileiros.

“Há muitas oportunidades para os Correios inovarem em projetos que gerem valor para a empresa e para o país. Levar pequenos produtores e artesãos brasileiros ao mercado internacional é uma delas: fortalece a economia, amplia a presença dos produtos brasileiros em outros mercados e, ao mesmo tempo, abre novas oportunidades de negócio para os Correios”, afirmou Sandra Maximiano.

Na avaliação da presidente do ERGP, há espaço para explorar outras frentes de atuação capazes de contribuir para a sustentabilidade econômica da empresa.

A delegação reúne representantes de autoridades reguladoras de Portugal, Bélgica e Áustria e está acompanhada por assessores especiais do Ministério das Comunicações.

No Rio de Janeiro, o intercâmbio ganha uma dimensão prática, com a visita às unidades operacionais, e acadêmica, com a discussão sobre regulação postal na UFF. A passagem da delegação pelo Brasil conecta diferentes perspectivas sobre uma mesma transformação: como combinar o alcance das redes postais com inovação, eficiência e novas possibilidades de negócio.

Uma carta ao Gato de Cheshire no Dia Mundial dos Correios

Aos 12 anos, Liz Medeiros Mota venceu a etapa nacional do Concurso Internacional de Redação de Cartas com uma reflexão sobre as relações humanas na era digital.

O Gato de Cheshire não costuma receber correspondência. Tampouco seria fácil encontrar seu endereço. Mas Liz Medeiros Mota, de 12 anos, tinha algo a lhe dizer.

A estudante de Brasília escolheu o personagem de Alice no País das Maravilhas, conhecido por aparecer e desaparecer deixando apenas o sorriso, para conversar sobre um assunto que Lewis Carroll dificilmente poderia imaginar quando publicou seu livro: as relações humanas em um mundo de telas e redes sociais.

Assista ao vídeo especial do Dia Mundial dos Correios 

A escolha lhe rendeu o primeiro lugar nacional no 55º Concurso Internacional de Redação de Cartas, promovido pela União Postal Universal (UPU) e realizado no Brasil pelos Correios.

Na sexta-feira, 9 de outubro, Liz recebeu o troféu e o certificado durante a celebração do Dia Mundial dos Correios, no edifício-sede da empresa, em Brasília. Na plateia estavam seus pais, seu irmão e seus avós.“Confesso que ainda parece um sonho estar aqui”, disse a estudante do 6º ano da The British School of Brasília.

Com a família na plateia, Liz recebe sua homenagem no Dia Mundial dos Correios. Foto: Divulgação/Correios.

Uma conversa entre dois mundos

O desafio do concurso era escrever a um amigo explicando a importância das relações humanas em um mundo digital. Liz preferiu um interlocutor imaginário e encontrou nas aventuras de Alice uma maneira de refletir sobre autenticidade, valores e a vida fora das redes sociais.

“Quando escrevi essa carta, pensei em como, mesmo no mundo em que estamos cada vez mais conectados pela tecnologia são as relações humanas que tornam a nossa vida verdadeiramente especial”, contou.

A reflexão ganhou outra dimensão durante a premiação. Ao agradecer a conquista, Liz se lembrou das crianças que vivem em regiões atingidas por guerras.

“Eu fico muito triste ao pensar que tantas delas, em vez de estarem em suas escolas, aprendendo, brincando, fazendo amigos, precisam conviver com o medo”, afirmou. Dedicou a elas o prêmio, com o desejo de que um dia todas possam crescer e viver em paz.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, que entregou o troféu à estudante, destacou sua sensibilidade. “Para a vida, o que parece que faz mais diferença é essa capacidade de conseguir se conectar às pessoas, o cuidado e o tratamento diário às relações humanas”, disse.

O caminho de uma carta

A homenagem aconteceu em uma data que celebra a capacidade de fazer mensagens atravessarem fronteiras.

O Dia Mundial dos Correios marca a criação da União Postal Universal, em 1874. Hoje, 192 países integram uma rede com mais de 660 mil unidades postais e 4,6 milhões de trabalhadores. No Brasil, os Correios fazem parte dessa estrutura que aproxima pessoas e comunidades em um território de dimensões continentais.

Durante a cerimônia, representantes da UPU e do Ministério das Comunicações destacaram a importância da cooperação internacional e da integração entre os serviços físicos e digitais. O tema escolhido para 2026, “Uma rede postal, possibilidades infinitas”, ganhou um significado particular com a história de Liz.

A celebração também homenageou Victor Hugo, de 10 anos, estudante da Primeira Escola de Tempo Integral Laudimírio de Jesus Tormin, de Luziânia (GO). Quarto colocado nacional no concurso, ele recebeu menção honrosa, assim como sua escola.

A professora e coordenadora da escola de Liz, Julia Diefenthaler, resumiu o valor da leitura e da escrita com uma imagem: “A leitura e a escrita são como duas asas de um mesmo pássaro. Trabalhando juntas, a gente pode alcançar cada vez voos mais altos.”

Realizado anualmente, o Concurso Internacional de Redação de Cartas incentiva a escrita e a alfabetização. O Brasil já conquistou três títulos internacionais, ficando atrás apenas da China, com cinco. O resultado da etapa internacional de 2026 ainda não havia sido divulgado na data da cerimônia.

O Gato de Cheshire pertence a uma história publicada há mais de 160 anos. Não tem endereço conhecido nem poderia responder à correspondência. Ainda assim, foi o destinatário escolhido por uma menina que queria falar sobre a importância de ouvir, acolher e cuidar das pessoas.

A carta era para um personagem de ficção. A mensagem encontrou leitores no mundo real.

Saiba mais sobre o Concurso Internacional de Redação de Cartas.

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