Depois de meses de preparo e semanas intensas de operação em Belém (PA), os Correios iniciam agora a etapa final da COP30: fazer tudo voltar para casa

A COP30 chegou ao fim, mas para nós, que movemos o Brasil diariamente, o trabalho continua. Agora, começa a logística reversa: cada caixa, equipamento e material que chegou de todos os continentes precisa encontrar novamente o seu destino. É um movimento tão complexo quanto o da ida: parte da equipe permanece em Belém até meados de dezembro, encerrando um ciclo que começou meses atrás.
Foram 30 toneladas de carga internacional tratadas em um contexto completamente novo para o nosso dia a dia. Pela primeira vez, os Correios assumiram também a primeira milha em outros países, enfrentando diferentes legislações, ritmos e culturas. O desafio virou inovação e mostrou o quanto sabemos criar soluções ágeis quando o mundo precisa da gente.
“De um dia para o outro, conseguíamos transformar uma prospecção em projeto pago. Isso gerou proximidade, confiança e muitos elogios”, conta Frank Schneider Carvalho de Moura, um dos coordenadores da operação. Delegações já nos consultam para futuras conferências. A credibilidade conquistada fala por si.

Quem viveu, sabe
A COP30 foi uma operação técnica, mas também profundamente humana. E quem esteve lá sabe o tamanho disso. “Mostramos mais uma vez que os Correios têm capacidade de fazer qualquer tipo de serviço. É dever cumprido”, resume Antonio Paulo Gonçalves de Moraes, gerente do Centro de Logística Integrada (CLI) de Belém.

Na Blue Zone, área das delegações oficiais, cada entrega carregava um gesto simbólico. “Mesmo sem falar o mesmo idioma, era emocionante ver a satisfação deles”, lembra Eudimar Silva Souza. Para o carteiro Valdeci Gomes, a experiência foi “gratificante e transformadora”.
Na Green Zone, aberta ao público geral, a sensação era de ter vivido algo único. “É um sonho. O Pará virou janela para o mundo”, conta o agente Darciel da Silva Alves. O carteiro Miguel Evandro reforça: “A troca com colegas de outros estados criou muita conexão”.
Para muitos, estar na COP30 foi estar dentro da história. “Pensar na ECO 92 e ver este evento na Amazônia é um marco”, destaca o engenheiro Fernando Augusto da Silva.
Há também quem dedicou quase quatro décadas aos Correios e se emocionou ao ver a empresa onde cresceu ocupar um papel tão relevante. “É gratificante demais fazer parte disso”, diz Conceição Cardoso da Silva, com seus 39 anos de casa.
Correios do Brasil e do mundo
A força-tarefa reuniu empregados de todas as regiões. De Imperatriz a Curitiba, de São Paulo a Belém, as vozes se encontram no mesmo sentimento: orgulho. “Ver tudo acontecendo exatamente como planejamos é indescritível”, resume Jamili Balcewez da Silva, do Paraná.
“Estávamos nos bastidores fazendo o evento acontecer”, afirma Manuela Derra, de São Paulo. Bruno Valério completa: “Uma operação dinâmica, com grande responsabilidade. Dá orgulho mostrar quem somos.”
Quem já voltou para casa também leva aprendizados. “A COP30 prova o quanto os Correios entregam para a sociedade”, reforça Heverton Pagliaci, de Bauru.

E teve quem fez muito mais do que entregar cargas: desmontou barreiras. O técnico Tsay Chu Ming, fluente em mandarim, virou ponte para delegações da China e Taiwan. Já Ismael Oeiras Pires ajudou visitantes com Libras em um evento em que a inclusão também era pauta. Presença que transforma.
A COP30 termina, mas o legado fica: na memória de quem participou, no conhecimento que construímos e na certeza de que os Correios entregaram muito mais que encomendas: entregaram confiança, solução e presença.

Gessimar Calmon, analista que está em Belém desde setembro, sintetiza o sentimento coletivo: “Foi como trocar o pneu de um carro em movimento. E, mais uma vez, os Correios mostraram sua força, sua competência e sua dedicação. Fazer agora o caminho reverso nos enche de orgulho. Os Correios do Brasil se tornaram do tamanho do mundo.”
