Correios celebra o Dia Nacional do Selo

Aromático, holográfico ou em braille. Pode ser também comemorativo, especial, regular ou personalizado. Usado inicialmente como comprovante de pagamento de serviços postais, o selo brasileiro foi celebrado nessa terça-feira (1º). O Dia Nacional do Selo marca a ocasião em que entrou em circulação a primeira emissão postal brasileira, chamada Olho-de-Boi. O lançamento ocorreu em 1º de agosto de 1843, com três valores: 30, 60 e 90 réis, exemplares até hoje destacados no cenário mundial.

O Brasil foi o segundo país do mundo a adotar o selo postal. A nação ficou atrás apenas da Inglaterra e do “Penny Black”, lançado em 1840. O vice-presidente da Federação Internacional de Filatelia (FIP), Reinaldo Macedo, detalha como se deram as mudanças na forma de utilização do serviço.

“Na origem dos correios, quem pagava a correspondência não era quem mandava, era quem recebia. Como era um custo elevado para a época, as pessoas codificavam entre elas símbolos para que quando o carteiro chegasse para entregar, o destinatário tomasse ou não a decisão de receber a carta. Isso gerou a incidência muito grande de serviços prestados pelos correios sem remuneração. Por volta de 1837, com a reforma postal na Inglaterra, decidiu-se que a carta passaria a ser paga pelo remetente. E o selo, surge então como um comprovante de que o serviço foi pago.Para que esse comprovante não fosse reutilizado, surgiu então o carimbo, de anulação do selo, de forma que esse serviço fosse prestado uma única vez”, relata.

Com a evolução da atividade postal, vários países começaram a produzir seus próprios selos e, ao longo da história, as peças foram passando por processos inovadores. No Brasil, até 1968, a maioria dos selos comemorativos eram impressos em uma cor só, com papel rudimentar e picotagem precária. A partir de 1969, artistas plásticos e desenhistas foram contratados para produzir os selos, melhorando em imagem e qualidade.

A variedade de formatos, cores, técnicas, temas e artistas renomados que desenham as peças transformam os selos, muitas vezes, em verdadeiras obras de arte. “Os selos expressam a cultura, a história e os aspectos relevantes de um país, de uma nação. Utilizam técnicas artísticas como a pintura e a fotografia, por exemplo, considerando os valores estéticos da beleza, do equilíbrio e da harmonia”, explica a gerente de Filatelia dos Correios, Viviane Gomes Luz.

Muitas vezes as técnicas empregadas são tão arrojadas que ganham reconhecimento internacional. É o caso, por exemplo, da quadra de selos Parques Nacionais – Prevenção a Incêndios Florestais, de 2000. A emissão – primeira do mundo confeccionada em papel reciclado e a segunda do mundo com aroma – ganhou, na Itália, o Prêmio Internacional Aziago de Arte Filatélica, na categoria Meio Ambiente.

Entre os temas mais utilizados estão o meio ambiente, a fauna e flora do país. Mas a cultura, os esportes, as datas comemorativas, as personalidades, as artes, a arquitetura são outros eixos temáticos contemplados na filatelia. Não por acaso, dá para saber muito da memória de um país pela sua emissão filatélica.

“A Filatelia cumpre o papel de disseminar a cultura dos países emissores de selos e registra os valores da sociedade, preservando o legado histórico a ser transmitido às gerações futuras, dado o volume de informações que os selos veiculam”, completa Viviane.

Se a comunicação por correspondências parece perder espaço para os meios digitais, a produção de selos segue de vento em popa. O segmento registrou um aumento de 20%, entre 2015 e 2016.

“Para os Correios, a filatelia, além de representar a essência postal, é um segmento de negócio importante institucional e comercialmente. Só no ano passado, lançamos 25 emissões de selos postais comemorativos e especiais, totalizando uma produção de mais de 15 milhões de peças”, enfatiza o presidente dos Correios, Guilherme Campos.

O resultado expressivo acompanhou a realização do maior evento esportivo do mundo. Em ocasião dos Jogos Rio 2016, os Correios emitiram mais de 2,4 milhões selos postais para celebrar o evento. As emissões Nossos Selos Rio 2016, Celebração dos Jogos Olímpicos, Celebração dos Jogos Paralímpicos e Jogos Rio 2016: Arenas Olímpicas e Paralímpicas ajudaram a satisfazer as demandas nacionais e internacionais do colecionismo temático.

Ao mesmo tempo em que o cenário mundial anseia por novidades, os clássicos têm o seu valor – e que valor! O selo One-Cent Magenta, da Guiana Britânica, impresso em 1856, foi arrematado por US$ 9,5 milhões em 2014, ou aproximadamente, R$ 29 milhões. Só existe um exemplar conhecido desse selo. O Swedish Treskilling Yellow, da Suécia, chega a valer R$ 6, 1 milhões. Já o Two Penny Blues, conjunto de 12 selos das Ilhas Maurício, alcançou a marca de R$3,6 milhões.

Além da raridade e antiguidade, os preços das peças variam de acordo com o estado de conservação, do corte das margens, do papel, da impressão, do carimbo utilizado e da existência de variações, por exemplo. O selo brasileiro de maior valor já negociado foi o terno xipófago, também conhecido por Pack Strip.  O item foi arrematado, em 2008, por US$ 1,9 milhão, em um leilão em Nova Iorque. Já o Olho-de-Boi, primeiro selo brasileiro, pode chegar a R$10 mil.

Tanta variedade, história e valor expressivo acabaram atraindo uma legião de admiradores pelo mundo empenhados em estudar e colecionar os selos com algumas técnicas de organização e apresentação. São os chamados filatelistas. Mais do que hobby, a Filatelia une arte e ciência em uma mesma atividade.

Inúmeras são as formas de se iniciar uma coleção. Alguns começam juntando selos das correspondências recebidas. Outros acabam ganhando peças de parentes ou amigos. Ainda há aqueles que compram os selos pelos Correios, ou adquirem os itens em clubes especializados.

Seja qual for o caso, é necessário escolher a forma de dispor o acervo de selos. A mais comum costuma ser por País ou Tema – Flora, Esporte, Chefes de Estado, etc. Mas não há regras. A imaginação é quem dita a ordem da coleção. Uma forma peculiar é estender no colecionismo a paixão por outros hobbies.

O estudante Paschoal Guidalli Rapuano, de 11 anos, escolheu o tema Dinossauros: Criação de Deus para a coleção. O jovem começou a se interessar por selos quando o colégio Mackenzie, de Brasília, inaugurou um clube filatélico em 2014.

“Tenho 1.200 selos, novos e usados, alguns em bloco. Além de me interessar pelas cores, diversidade de temas, gosto de conhecer mais a respeito do país de origem dos selos”, conta Paschoal que, apesar da pouca idade, já expôs sua coleção na LUBRAPEX – Exposição Filatélica Luso-Brasileira de 2016, que ocorreu em Viana do Castelo, em Portugal.

Para algumas pessoas, a paixão pela filatelia ocorre de forma inusitada. O hábito de colecionar selos surgiu na vida do advogado e professor universitário paranaense Andrei Morh Funes, aos 5 anos de idade, quando ele e o irmão encontraram alguns selos jogados em um terreno baldio em Pirapozinho, região de Presidente Prudente (SP).

Hoje, aos 46 anos, o professor conta com um invejável acervo de mais de 70 mil selos, com raridades como o Penny Black e os selos Olho-de-Boi, e passou o hábito a outras gerações, incentivando as filhas de 12 e 16 anos a seguirem os seus passos. “Cada uma tem seu álbum. A mais velha coleciona selos de peixes de todo o mundo e a mais nova, de borboletas e cachorros”, conta o advogado que pretende passar o hobby também aos netos.

Se no passado eles ajudavam a encurtar distâncias, hoje são também motivos ou os protagonistas da reunião. Espalhados em cores, tamanhos, valores e importância pelas mãos de filatelistas do mundo inteiro, os selos ganharam o poder de mobilizar os seus colecionadores em clubes, associações, sociedades e centros filatélicos. Só no Brasil, são 26 instituições filiadas, de acordo com dados da Federação Brasileira de Filatelia (FEBRAF).

E a tendência é de que o número seja ainda maior. “Muitos clubes se formam pela união de amigos e acabam não se oficializando, até porque se filiar tem um custo elevado. Já devemos ter entre 150 e 200 clubes filatélicos no Brasil”, conta o vice-presidente da FIP, Reinaldo Macedo.

Em alguns casos, o grupo de amigos também vira uma associação oficial. “Somos amigos e temos paixão pelo colecionismo de selos”, revela o presidente da Sociedade Filatélica de Curitiba (Soficur), Ricardo Dal Pasqual. Fundada em 1944, a entidade reúne-se às quintas-feiras para trocar materiais e experiências.

O grupo é composto por perfis variados de colecionadores: os adolescentes, geralmente, preferem coleções de temas específicos, enquanto os adultos buscam peças mais raras.“Em geral, o brasileiro prefere selo novo. Já o europeu, o carimbado, com a justificativa de que cumpriu a sua função. Mas isso não é regra”, complementa Ricardo, que começou a se interessar pela filatelia, aos 11 anos, ao ver a coleção do tio.

Para a satisfação dos filatelistas e colecionadores do Brasil e do mundo, Brasília recebe, entre 22 e 29 de outubro, a Colecionar 2017 – Exposição Mundial de Filatelia. Além de exposições filatélicas, com mais de 2 mil painéis de 55 países, o evento inédito trará diversas classes de colecionismo, como selos, moedas, carros, orquídeas, artesanatos, dentro outras.

Para Reinaldo Macedo, vice-presidente da FIP e realizador da Colecionar, a exposição, além de levar diversão e entretenimento, representa uma oportunidade única de acesso a registros históricos e conhecimentos socioculturais do Brasil e do mundo.

“Teremos palestras técnicas e oficinas filatélicas para as pessoas aprenderem mais sobre o assunto. Além de 500 expositores internacionais, faremos uma exposição nacional, abrangendo os nossos 27 estados, com aproximadamente 160 expositores brasileiros”, conta.

Já pensou em eternizar sua família, viagens, eventos e, até mesmo, seu bichinho de estimação em selos? Nos Correios, isso já é possível. Confira o passo a passo no vídeo abaixo.

As folhas são compostas por 12 selos, cada uma, com valor facial referente ao 1º Porte Carta Comercial, o que permite a atualização automática do preço em um eventual reajuste na tarifa postal, dispensando a complementação de valores. Além do modelo tradicional – que exige o uso de cola -, está disponível uma nova versão autoadesiva, que facilita a utilização.


Esta entrada foi publicada em Institucional e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Prezado leitor,

Só serão publicados comentários diretamente associados ao tema do post. Comentários com conteúdo ou termos ofensivos não serão publicados. Informações, dúvidas, sugestões ou reclamações sobre serviços devem ser encaminhadas ao Fale com os Correios

5 respostas a Correios celebra o Dia Nacional do Selo

  1. PAULO CÉSAR DE OLIVEIRA disse:

    Parabéns pela matéria. Ela faz jus a paixão de muitos filatelistas.

  2. José Eduardo de Lima disse:

    Maravilhosa matéria. Fiquei muito feliz e com certeza, outros filatelistas também. Parabéns.

  3. Paulo Oliveira disse:

    Parabéns pele excelente reportagem!
    A história da filatelia é realmente fantástica!!
    Abs

  4. Maísa Vilanova disse:

    Amei! Apaixonei! LIndos!

  5. Sandro Guidalli disse:

    Parabéns pela reportagem! Muito instrutiva!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *