Ela escolheu o 22 de maio para nascer de novo, longe do Réveillon. É nessa data, o Dia de Rita Lee, que os Correios lançam o selo em sua homenagem

Quem nasce no último dia do ano nunca tem uma festa só sua. Rita Lee resolveu isso à sua maneira: decretou que faria aniversário em 22 de maio, Dia de Santa Rita de Cássia, e pronto, calendário novo. Continuou capricorniana, claro. “Gosto de ser caprica”, avisou. O zodíaco ela respeitava; o resto, negociava.
Foi neste 22 de maio, hoje oficialmente o Dia de Rita Lee em São Paulo (SP), que os Correios lançaram, nesta sexta-feira, o selo especial em sua homenagem. A data não foi acaso: é o aniversário que ela mesma inventou para si.
Quem recebeu a homenagem foi Roberto de Carvalho, parceiro de música e de vida. Colecionador de selos a vida inteira, ele resumiu o que sentia: agora pode coroar a coleção com o selo “daquela que, para mim, é a maior de todas”. Estavam lá também os filhos do casal, Beto Lee e João Lee, o pesquisador Guilherme Samora e a advogada da família, Silvia Venna.

Rita Lee passou mais de cinco décadas sem ficar quieta num canto só. Entrou nos anos 1960 pela porta dos Mutantes, banda que misturou rock, psicodelia e MPB num tempo em que isso era quase provocação. Saiu, foi solo, e em 1975 largou *Fruto Proibido* no colo do país, um dos discos que fundaram o rock brasileiro de verdade. Dali em diante, com Roberto de Carvalho, passeou por pop, disco, new wave, bossa nova, e foi emendando hino atrás de hino: “Ovelha Negra”, “Lança Perfume”, “Mania de Você”, “Baila Comigo”. Música que pulou de uma geração para a outra sem pedir licença.
Rainha do Rock ela aceitava a contragosto. Padroeira da Liberdade, esse título ela assinava embaixo e cumpria fora do palco também. Foi uma das primeiras a gritar pela Amazônia e pelos povos indígenas, lá em 1990, e gastou boa parte da vida defendendo os animais, a causa que chamava de a maior do coração. No fim, virou escritora: autobiografias, contos, livros para crianças, todos best-sellers. Morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos, em São Paulo.
O selo é da artista Tatiana Braz e mostra Rita rodeada dos bichos que adotou no sítio. Ela aparece sobre uma flor de lótus, com a árvore da vida atrás, aceno a Buda e à figueira onde ele teria meditado. O fundo é uma explosão de cor, floresta encantada, à altura das roupas que ela usava. Técnica mista: acrílica, lápis de cor, caneta hidrográfica e pintura digital.
Foram impressos 96 mil selos, cada um no valor de uma carta de 1º porte. Estarão à venda nas agências e na loja online dos Correios. Compre aqui: https://loja.correios.com.br/
